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Dia do Geógrafo

“Vou ficar até o fim do dia, decorando tua geografia”. Com esse trecho da canção “Paixão” dos cantores Kleyton e Kledyr. Recordo que minha paixão por essa matéria, começou em 1968, através do livro de capa amarela do saudoso mestre Manoel Correia de Andrade “Geografia dos Continentes” que me fez sonhar e viajar por vários países mesmo sem sair de nossa capital. Com essa abertura quero lembrar que neste 29 de maio, comemora-se o Dia do Geógrafo, profissional imprescindível nas áreas de planejamento urbano, meio ambiente, transportes, saneamento e educação ambiental. Infelizmente as prefeituras, na sua grande maioria, desconhecem a importância deles e colocam por ignorância ou apadrinhamento pessoas totalmente despreparadas para ocuparem cargos que são inerentes a esses profissionais.
Hoje quero homenagear os Geógrafos, lembrando inicialmente dos precursores do estudo dessa ciência como: Ptolomeu, os Vikings, os Fenícios, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, o viajante italiano Marco Pólo narrando as suas famosas viagens, até a chegada das modernas escolas, francesa e alemã, sem esquecer a importância do alemão Alexandre Von Humboldt e o seu périplo pela América do Sul. Na parte lúdica temos os relatos geográficos do livro “O Pequeno Príncipe” de Saint Exupéry. No Brasil nosso maior destaque é, indubitavelmente, o geógrafo Milton Santos de Almeida, o garoto pobre, neto de escravos nascido na cidade Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, no mês de maio de 1926, coincidentemente o mês de Geógrafo. Através de seus estudos e esforços tornou-se doutor em Geografia, cujo trabalho foi reconhecido internacionalmente em 1994 ao ser laureado com o “Vautrin Lud”, considerado o Nobel de Geografia, sendo o único intelectual negro a receber aquele prêmio. No livro “Espaço do cidadão” foi muito feliz ao afirmar “Num território onde a localização dos serviços é deixada à mercê do mercado, tudo colabora para que as desigualdades sociais aumentem”. Um dos muitos equívocos que a Revolução de 64 cometeu, foi o exílio dos professores Milton Santos e Josué de Castro, outro fera do conhecimento geográfico que através do seu livro “Geografia da Fome” denunciou de forma didática e contundente o estado de desnutrição que vivia o homem da Zona da Mata Nordestina, nos anos 60.
Neste dia de festa consagrado aos Geógrafos faço uma homenagem especial a minha turma que entrou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1974 e os professores daquele ano histórico quando inauguraram aquele campus universitário. Finalizando é impossível esquecer o grande mestre Aziz Ab Saber, que ao tomar conhecimento da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa de minérios do mundo, passou mal e teve que ser internado com problemas graves de saúde tamanha foi sua decepção
Aos amantes de Geografia nada melhor que no seu dia relembrar a canção “Terra” de Caetano Veloso que tem tudo a ver com o tema: “Terra, Terra, por mais distante, o errante navegante quem jamais te esqueceria?...”



José Normando Bezerra
Geógrafo e Professor
Natal

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