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MACHADÃO, último aniversário.

José Normando Bezerra – Geógrafo e Professor



“Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, uma torcida de sonhos aplaude talvez, um velho atleta recorda as jogadas felizes, mata a saudade no peito driblando a emoção”. Lembrei dessa canção “Balada nº 7” do compositor Alberto Luiz, gravada por Moacir Franco em homenagem ao melhor ponta direita do mundo Mané Garrincha,
ao passar ao lado do Estádio Machadão e pensar que este 4 de junho poderá ser seu último aniversário, fico imaginado o que se passará nas mentes dos atletas que jogaram ali, vendo aquele templo esportivo, sendo criminosamente derrubado.
Parece que foi ontem e, no entanto, já se passaram 38 anos daquela tarde de 4 de junho de 1972, quando eu, na época recruta do exército, fui assistir emocionado e orgulhoso a inauguração daquele que é, indubitavelmente, o mais bonito Estádio de Futebol do Brasil. Naquele dia jogaram Vasco e Seleção Olímpica do Brasil, e na preliminar o ABC contra o América, com vitória alvinegra por 1x0, gol de William. Interessante é que 27 anos depois esse atleta veio trabalhar comigo na SEMTAS, um órgão da Prefeitura de Natal, o que nos proporcionou grandes papos sobre futebol. Infelizmente 3 anos depois faleceu de problemas cardíacos.
Falar no Machadão é relembrar a copa do Sesquicentenário do Brasil (a mini copa) em 1972, quando tivemos a presença de Eusébio, o melhor jogador de Portugal em todos os tempos e também as seleções do Equador, do Eire (Irlanda do Sul) e o Chile.
No gramado do Machadão além de Pelé atuaram todos os craques brasileiros das décadas de 70, 80 e 90, lá meu Alecrim Futebol Clube ganhou as taças Cidade do Natal de 79, 82 e 86 e os campeonatos estaduais de 85 e 86 com o baixinho Odilon dando show de futebol arte. Neste ano representou o RN no campeonato Brasileiro da primeira divisão, inclusive colocando 25 mil pessoas no jogo com o Atlético Mineiro. E sua torcida organizada - a FERA (Fiéis Esmeraldinos Radicais) conquistou 35 troféus como melhor do Estado escolhida pela imprensa esportiva e secretaria de Esportes de Natal. No ano de sua inauguração o Verdão Maravilha foi vice campeão estadual e revelou o craque Vasconcelos que depois jogaria no Náutico, Palmeiras, Internacional de Porto Alegre e Colo-Colo do Chile.
Uma pergunta para os leitores: Por que o Maracanã que tem 60 anos não vai ser demolido e o Machadão com apenas 38 anos será? Não é mais inteligente pegar esses 400 milhões que vão gastar na Arena das Dunas, tirar 100 milhões pra reformar o Machadão e os 300 milhões que sobraria empregassem na saúde e educação que vive eternamente em crise. Com a demolição do Machadão confirma-se a máxima que Natal é a cidade do já teve: cinemas, rádios AM, carnaval, São João, segurança, o Juvenal Lamartine e agora o Machadão, sem esquecer o desrespeito que estão cometendo com o grande desportista o saudoso João Machado.
Diante dessa insanidade quero repudiar a omissão dos políticos, sobretudo dos vereadores de Natal que concordam com essa estupidez. É por essa e outras que as pessoas de bom senso estão lutando para preservar esse patrimônio esportivo, arquitetônico, cultural da cidade e evitar que essa tragédia aconteça e que a população natalense não precise cantar a música de Adoniran Barbosa:” E fomos todos pro meio da rua apreciar a demolição, que tristeza que eu sentia, cada bloco que caía, doía no coração...”
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