
Sandro Pimentel é conhecido em todo o Rio Grande do Norte por ter sido candidato a Governador nos dois últimos pleitos pelo Partido Socialismo e Liberdade - PSOL no qual exerce a função de presidente do Diretório Regional e membro da Direção Nacional. Com 44 anos o socialista é Coordenador Geral do SINTEST/RN e Coordenador de Formação e Comunicação Sindical da FASUBRA, além de Graduado em Gestão Pública e Especialista em Qualidade de Vida e Saúde no Trabalho pela UFRN.
O companheiro Sandro Pimentel nos concedeu uma entrevista ao blog Nova Cruz 50 que você confere a seguir:
Nova Cruz 50 - Fale-nos um pouco sobre o início de sua militância política:
Sandro - Minha militância política teve início em 1991 quando ingressei na UFRN por meio de concurso público e comecei a participar de assembleias, seminários, congressos e demais atividades sindicais. Dai surgiu a necessidade pela política sindical e partidária por entender que a luta coletiva e bem maior que os interesses individuais.
Comecei militando no Partido dos Trabalhadores, mas depois que o PT tomou rumo diferente do que sempre defendeu, decidimos fundar o PSOL para manter nossa coerência política.
Nova Cruz 50 - O que levou a ingressar no Movimento Sindical?
Sandro - A admiração que comecei a ver nas pessoas que militavam, voluntariamente, pelos interesses da classe trabalhadora. Comecei a verificar que sem o movimento sindical os direitos dos trabalhadores seriam minimizados e comprometiam novas conquistas. Aprendi que devia ampliar o quadro de pessoas que lutam pelos direitos coletivos, sem se comprometer com o patrão ou tentar tirar proveito individual.
Nova Cruz 50 – Qual a sensação de romper com o PT logo após a vitória de Lula?
Sandro Pimentel - Uma sensação de tristeza e traição. Foi decepcionante. Imaginava que o PT transformaria o Brasil, mas infelizmente não o fez, mesmo porque a nomeação de ministros estratégicos para as mudanças das políticas de estado foram entregues a quem defende intransigentemente o capitalismo. Sem falar da avalanche de corruptos que foi evidenciada no decorrer do gonerno Lula.
Nosso país vive uma guerra urbana, sem falar dos 14 milhões de analfabetos e mais de 10 milhões de pessoas que passam fome, é triste vermos isso num país tão rico, mas a verdade é que pouca gente tem muita riqueza e muita gente não tem nada. Isso tem que mudar e não mudará no modelo de estado atual.
Nova Cruz 50 – Presidir o PSOL-RN é um grande desafio?
Sandro Pimentel - Acima de tudo, dirigir o PSOL é uma honra sem tamanho. É um desafio porque não é fácil falar de socialismo num país deseducado, que investe apenas 2,6% para toda a educação brasileira. É um desafio dirigir um partido que não compra voto e que muita gente não acredita mais em partidos ou políticos, mas seguiremos em frente acreditando que é um processo que deve ser contínuo a gradual.
Nova Cruz 50 - Qual a avaliação que faz do processo eleitoral de 2010 quando foi candidato a Governador do Rio Grande do Norte?
Foi um processo muito rico que me proporcionou muito aprendizado sobre meu estado e oportunizou debater com os políticos tradicionais apresentando nossas propostas. Foi um momento onde a população ouviu propostas diferenciadas. Obter 10.520 votos contra as mega estruturas, não é fácil.
Opino que o processo foi vitorioso, mas muito desigual do ponto de vista dos tempos de TV, rádio e estrrutura financeira.
Nova Cruz 50 - Quais as perspectivas para o PSOL à nível nacional e no Rio Grande do Norte?
Sandro - Não temos boas perspectivas, claro, torcemos para que sejam gestões vitoriosas em relação aos direitos e conquistas do povo pobre, mas não conseguimos vislumbrar essa realidade por tudo que foi dito nas campanhas, tanto da Dilma como da Rosalba.
Infelizmente, o compromisso dessa gente não é com o povo, mas sim com o grande capital (banqueiros, latifundiários, grandes empresários etc). Nosso serviço público (saúde, educação, saneamento, segurança etc) está cada vez pior, isso ocorre porque a prioridade é outra. A privatização no setor público cresce a passos largos, boa parte para beneficiar as empresas dos "amiguinhos do poder".
Nova Cruz 50 - Pretende ser candidato em 2012?
Sandro - Sou um soldadinho do PSOL, portanto me coloco a disposição para o que o partido definir. De minha parte, pretendo ser candidato sim, mas a discussão sobre a que cargo e onde, ocorre coletivamente nas instâncias partidárias.
Por outro lado, pretendo fazer meu mestrado e se isso ocorrer agora, ficarei fora das eleições de 2012, então está tudo indefinido.
Nova Cruz 50 - Deixe uma mensagem para o povo de Nova Cruz.
Sandro - Deixo sim, primeiro quero agradecer pelos votos obtidos nesse município. Foram poucos, mas foram conscientes e qualificados de pessoas que verdadeiramente queriam mudanças na política do estado.
Bom, minha mensagem ao povo de Nova Cruz é que não devemos desistir de acreditar num mundo melhor. Nisso, cada pessoa pode dar uma parcela de contribuição participando dos movimentos sociais, controles sociais, sindicatos e fazendo política diária. Não podemos esquecer que a leitura a bons livros e participação de cursos de formação política pode contribuir e muito com uma visão mais ampla e transversalizada sobre as questões mais gerais.
Me preocupo muito com nossa juventude que em boa parte, tem pensado mais nas redes sociais do mundo virtual, esquecendo-se de participar mais efetivamente dos grêmios estudantis que inclusive, estão morrendo e isso é péssimo.
Por fim, continuo me colocando a disposição para quealquer luta ou tarefa que contribua para melhorar a qualidade de vida do povo, especialmente os mais necessitados.
Saudações.
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