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ALECRIM FC E PORTUGUESA: RESISTÊNCIA E COINCIDÊNCIAS

“Desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos afinal de contas não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo nada de correr da raia, nada de morrer na praia, nada, nada, nada de esquecer, no balanço de perdas  e danos, já tivemos muitos desenganos, já tivemos muito que chorar, mas agora, acho que chegou a hora de fazer valer o dito popular, desesperar jamais...”. Essa música de Ivan Lins e Vitor Martins é a que melhor representa a resistência das duas torcidas mais fiéis do Brasil: a do Alecrim FC de Natal (RN) e da Portuguesa de Desportos de São Paulo que estão, respectivamente, há 25 e 38 anos sem ganhar um título estadual. Alguém pode lembrar que o Botafogo do Rio teve um jejum de 21 anos e o Corinthians de São Paulo, 23 anos, também foram fiéis só que estas equipes sempre tiveram a cobertura maciça da imprensa esportiva, enquanto a Lusa e o Alecrim são extremamente discriminados pela mídia.. O Alecrim e a Portuguesa têm uma história muito parecida, cheia de coincidências: ambos foram fundados no mês de agosto, o Alecrim no dia 15 e a Portuguesa no dia 14; Também nesse mês ganharam seu último campeonato estadual, a Lusa no dia 26 de agosto de 1973 e o Alecrim em 17 de agosto de 1986; São do signo de Leão; Têm a cor verde em suas camisas, talvez por isso nunca percam a esperança como canta Caetano Veloso “Meu coração não se cansa de ter esperança...”; Conquistaram seu primeiro título em anos terminados em 5, o Alecrim em 1925 e a Portuguesa em 1935; Seus últimos bi campeonatos aconteceram em ano terminado em 6, a Lusa em 1936 e o Alecrim em 1986; Se enfrentaram no campeonato brasileiro da primeira divisão de 1986, no Estádio Castelão em Natal e o jogo terminou empatado 2 X 2; Identificam-se bastante com o Cristianismo, já que o Alecrim foi fundado no dia da assunção de Nossa Senhora e a Portuguesa tem no seu escudo uma cruz, símbolo maior dessa religião; Os jogadores com nome Marinho da seleção brasileira na copa do mundo em 1974 foram seus treinadores, Marinho Chagas do Alecrim e Marinho Perez da Lusa; São clubes muito prejudicados pelas arbitragens no que acarretou na perda de alguns títulos; Também viveram tragédias semelhantes, como as mortes, por acidente de trânsito, dos meio-campistas, Luisinho do Alecrim em 1982 e Denner da Portuguesa em 1994; Suas torcidas organizadas FERA – Fiéis Esmeraldinos Radicais do Alecrim e Leões da Fabulosa da Portuguesa têm como mascote um leão e foram criadas na década de 70; Falando em torcida é comovente e emocionante ver a luta sacrossanta desses heróis  nos estádios de futebol com suas faixas, bandeiras, charangas e fogos de artifícios acompanhando esses clubes em todos os lugares,mesmo sabendo que as chances de ser campeões são poucas.
Jogadores famosos que vestiram as camisas desses times: no Alecrim, Mané Garrincha, bi campeão do mundo, 58/62, Vasconcelos (Palmeiras, Internacional, Colo Colo do Chile), Valdir, goleiro do Vasco da Gama do Rio, Odilon (Sport de Recife), Alberi (bola de prata em 1972),Carlindo (bola de prata de 1971), Noronha (Fluminense do Rio), Carlinhos Bala, (Náutico e Cruzeiro); Chicletes (Ceará), Fraga (Náutico), Ticão, Alberto Leguelé, Edmilson, Edmo, Burunga, Zezé e Icário. Na Portuguesa: Djalma Santos, bi campeão do mundo, 58/62, Félix, tri campeão do mundo em 70, Julinho Botelho, seleção brasileira de 54, Brandãozinho (seleção brasileira de 1954), Pinga I (seleção brasileira de 1954), Leivinha (seleção brasileira de 74), Zé Roberto (seleção brasileira de 1998 e 2006), Jair da Costa (seleção brasileira de 1962), Marinho Perez (seleção brasileira de 1974), Zé Maria (seleção brasileira de 1997),o príncipe negro Ivair, Enéas,  Denner.
A vitória desses clubes representará a do povo simples, dos idealistas, excluídos, humildes, daqueles que nunca chegam lá, por isso seus torcedores continuam lutando, acreditando e cantando a música de Raul Seixas: “Tente não diga que a vitória está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez...”

                                                              
 José Normando Bezerra
   Geógrafo e Professor
   Natal (RN), abril/2011

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