Por Sandro Pimentel
Durante toda essa semana (10 a 15/04), ocorreu em Poços de Caldas/MG, o XXI CONFASUBRA. Ao todo estiveram presentes, 1.075 delegados(as) que vieram de todos os estados do Brasil para discutir diversos temas, incluindo conjuntura nacional e internacional, organização sindical, comunicação, mulher trabalhadora, meio ambiente, além de construir o Plano de Lutas da categoria que aponte às diversas demandas que teremos pela frente.
Na verdade, foram seis dias de muito trabalho e diversas discussões que estão na ordem do dia, mas, destacamos três pontos que foram preponderantes. Um deles foi a tentativa de refiliação à CUT – Central Única dos Trabalhadores, muito bem apresentada e defendida pelo coletivo Tribo e CSD. Essa foi uma das principais derrotas do campo cutista, pois se no congresso passado a FASUBRA se desfiliou a CUT, neste a desfiliação se manteve por 50 votos de diferença, mesmo com todo aparato montado pela central sindical mais rica do Brasil.
Outro ponto bastante discutido e defendido pela Frente BASE, especialmente pelo companheiro Sandro Pimentel, do Movimento Esquerda Socialista (MES) e o companheiro Mário (Vamos à Luta), foi a desfiliação à ISP – Internacional dos Serviços Públicos. Nesse ponto, infelizmente o governismo foi vencedor e a FASUBRA continuará filiada a uma central internacional inoperante politicamente e que em três anos de filiação ainda não disso a que veio.
O melhor de tudo ainda estava por vir e veio. Refiro-me à eleição para nova direção da Federação que aconteceu na manhã de ontem (15). Importante mencionar que houve um racha entre os governistas, de modo que a CSD, CTB e Tribo saíram cada uma em chapa própria. O campo de esquerda e de oposição ao governismo na Federação agiu como deveria, compôs chapa unificada (Vamos à Luta, BASE - CSP Conlutas e MES, Unidos e PSLivre) e o resultado não poderia ser outro, em 33 anos de existência da FASUBRA, pela primeira vez o campo de esquerda ganhou a eleição. Era claro o semblante de tristeza estampado na face de cada governista, parecia não acreditar.
A chapa vitoriosa elegeu dois coordenadores gerais, sendo um indicado pelo Vamos à Luta (PSOL) e o outro pela frente BASE (PSOL/PSTU e independentes), além dos demais cargos que foram indicados pela chapa, totalizando 11 cargos, num total de vinte e cinco.
Vamos aos números da eleição:
A chapa de esquerda obteve 471 votos (45,11%), 11 cargos, sendo dois gerais. A chapa da Tribo obteve 349 votos (33,43%), 8 cargos. A CSD obteve 124 votos (11,88), 3 cargos. Por último a CTB obteve 100 votos (9,58%), 3 cargos na direção.
Nosso balanço é que, se considerarmos o quadro anterior, onde a Coordenação Geral da FASUBRA era formada por dois petistas e um sem partido, no cenário atual, tivemos uma vitória maiúscula porque o petismo ficará num “sanduiche” entre um geral que milita no PSOL e outro que se organiza no PSTU.
Após a chamada proporcional dos cargos, o bloco de esquerda ocupará as seguintes coordenações: Duas Coordenações Gerais, uma Coordenação de Administração e Finanças, duas Coordenações de Seguridade Social, uma Coordenação de Educação, uma Coordenação Jurídica e Relações de Trabalho, uma Coordenação de Formação e Comunicação Sindical que será dirigida por Sandro Pimentel, uma Coordenação de Políticas Sociais e Gênero e duas Coordenações da Mulher Trabalhadora. Isso posto, é possível identificar o tamanho da responsabilidade que teremos, e certamente faremos da melhor forma possível, olhando exclusivamente para os interesses da categoria em todo o país.
Mas, ao que parece, o governismo vai a todo custo tentar obstaculizar a atual gestão, pelo menos foi essa a impressão que passou por ocasião da posse, momento que foi responsável pelo primeiro "barraco", impondo a colocação à mesa, de bandeiras da CUT, uma forma de demonstrar que não aceitou as implacáveis derrotas de não conseguir refiliar a FASUBRA à essa central governista, bem como a derrota no processo eleitoral. O petismo parece ainda não acreditar na derrota acachapante, que tá difícil absorver, mas essa foi a realidade das urnas e a vontade democrática da categoria. Já venceu demais, agora tá na hora de aceitarem a derrota, a vontade da maioria.
Agradecemos a tod@s pela vitória maiúscula que tivemos, não apenas em relação ao novo formato mais à esquerda da direção, mas também porque conseguimos aprovar um plano de lutas que já começa com um calendário progressivo, de modo a garantir que nossa categoria enfrente mais uma vez o governo da Dilma Rousseff e garanta conquistas importantes, algo que até agora não aconteceu.
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